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A Psicografia na Umbanda #parte02

"O objetivo principal é ensinar algo com aquilo, não enaltecer o ego do médium / entidade!"

A Psicografia Na Umbanda #parte 02

       Desde o surgimento da Umbanda, após a incorporação do Caboclo das 7 Encruzilhadas no médium Zélio Fernandino de Moraes, os ensinamentos foram passados através das práticas nas sessões nos terreiros, deixando apenas alguns registros através de notícias na imprensa em alguns jornais locais. Por ser uma religião genuinamente brasileira reunindo elementos de outras religiões, muita confusão surgiu na sociedade como um todo. Uma característica indiscutível, são os ensinamentos passados em cada dia de trabalho pelas entidades, e são tantas orientações que é necessário reunir organizadamente para que possa ser consolidado para os praticantes e simpatizantes da religião. Foi por isso, que o médium e importante escritor Leal de Souza, jornalista conceituado na época, foi convidado a escrever artigos em um jornal com grande expressão no Rio de Janeiro, para mostrar para a sociedade o intuito e significância da Umbanda para os brasileiros e para o mundo. Alguns de vocês podem estar questionando: “Mas por quê ele está falando isso? Onde entra a psicografia?”. Para mim, isso significa muita coisa. Leal de Souza foi o primeiro autor a mencionar a palavra umbanda em um livro. Os artigos produzidos diariamente para o jornal Diário de Notícias, resultou no livro “O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas da Umbanda – 1933” (leia a resenha aqui!), relatando vivências das sessões de Umbanda. Olhando esse cenário e entendendo a importância de tais fatos históricos, posso afirmar que esses artigos que resultaram no livro, não foram através da “psicografia direta”, onde o médium trabalha mentalmente junto a um espírito para escrever uma mensagem, mas, julgo sim, como um trabalho espiritual onde os relatos daquelas vivências trouxeram esclarecimentos e discernimento nos primeiros anos da religião, com a certeza também, do auxílio dos mentores espirituais que o acompanhavam para que os artigos saíssem coesos e direcionados, pois é uma obra de suma importância para a Umbanda, que pouco mais de 80 anos ainda conseguimos aprender com o livro e mergulhar naquela época complexa e confusa que marcou o início da religião.

       Claro que é impossível mencionar todos os autores importantíssimos que dedicaram seu tempo e trabalho para contribuir com a disseminação do conhecimento, mas podemos pontuar alguns que elevaram seus trabalhos e expandiram a mensagem da espiritualidade. As entidades buscam atuar em diferentes práticas mediúnicas, e todas são essenciais. No caso da psicografia, é importante pensarmos o motivo de gravar e perpetuar uma mensagem. Um livro tem um valor imensurável, pois os ensinamentos ali contidos podem nos ajudar eternamente expandindo nossa consciência. Nessa conclusão não é difícil chegar, basta lembrarmos do livro mais lido e difundido do mundo: a bíblia. Já são 2017 anos que essa ideia permeia na sociedade e gera discussões existenciais, filosóficas e espirituais. Com isso, percebemos a essência da responsabilidade e importância que tem uma obra, principalmente no que diz respeito à obra mediúnica.

       Como todo início, é imprescindível que tenha um norte para se solidificar e fortalecer, assim aconteceu (e acontece) com a Umbanda. Muitos médiuns viram a necessidade de expor seus fundamentos, com o único objetivo de organizar tantas informações trazidas pela espiritualidade. E a psicografia é algo natural e muitas vezes sutil e, sem dúvidas, muitos autores foram conduzidos e utilizados através dessa mediunidade sem sequer perceber.

       Estamos em um momento de grande transição para o mundo e também para a Umbanda, e ainda temos uma longa caminhada até alinhar as idéias para que consigamos unir forças e mostrar toda a diversidade que nos une dentro dessa linda religião. E a psicografia sempre esteve ativa e ajudou a intensificar mensagens de grande impacto, para a espiritualidade nos chamar atenção para onde devemos olhar e seguir. Não é difícil observarmos isso, basta lembrar de um livro memorável que a grande maioria leu e se identificou, mudando muitos paradigmas. Ao longo dos anos – e peço que pesquisem afundo a Literatura Umbandista -, tivemos o privilégio de grandes obras mediúnicas chegarem até nós. Como exemplo, cito o livro “Okê Caboclo”, do Pai Benjamin Figueiredo pelo Caboclo Mirim, autor de umas das mais célebres frases da religião “Umbanda é séria para gente séria”. Podemos mencionar o lindo trabalho do médium Norberto Peixoto junto ao espírito Ramatís, com os livros “Jardim dos Orixás” e “A missão da Umbanda”. Destaco também, na psicografia na Umbanda, o trabalho intenso e bonito do Pai Rubens Saraceni junto ao Pai Benedito de Aruanda, que publicou mais de 50 livros e que trouxe à tona os romances mediúnicos, como “O Guardião da Meia-Noite”, livro este que abriu minha mente quanto à psicografia na Umbanda, pois nunca me senti confortável para escrever mensagens de espíritos que queriam se comunicar com seus familiares, pois não teria estrutura psicológica para lidar com tanta intensidade junto aos familiares. Após ler esse livro, me surpreendi, pois não imaginava que era possível psicografar romances mediúnicos na Umbanda, como já estava mais consolidado na doutrina espírita. Então, tempos depois, fui orientado pelo Pai Antônio que escrevesse mensagens e aos poucos fui entendendo o caminho que estava me levando, para enfim, escrever obras mediúnicas.

       Como identidade da Umbanda, as entidades espirituais se apresentam com nomes simbólicos, como referência da linha de trabalho e vibracional na qual atuam. É importante frisar, que toda obra mediúnica tem como principal objetivo a história / ensinamento / causo em si, e mesmo que seja uma história vivenciada pelo espírito, o objetivo principal é ensinar algo com aquilo, não enaltecer o ego do médium / entidade para representar um alto grau evolutivo. Temos que ter consciência disso para transcrever com o máximo de pureza a essência da mensagem, pois sempre terá interferência do médium, por menor que seja, já que é um trabalho em equipe. Isso também é importante para os leitores, separar o joio do trigo é o melhor caminho para absorver as orientações espirituais.

       A cada ano surgem mais livros com excelentes conteúdos e histórias memoráveis, percebo e ouço das entidades, que a espiritualidade está cada vez mais incentivando médiuns psicógrafos a exercerem esse trabalho, pois é um terreno fértil para abrir o campo da consciência e explorar grandes ensinamentos para uma evolução eficaz. Em especial na Umbanda, a literatura está cada vez maior e melhor, ganhando espaço nas grandes livrarias e gerando interesse nas grandes editoras, pois as entidades espirituais estão cada vez mais trazendo materiais essenciais para nosso desenvolvimento de forma sadia e madura.

       Deixo este link (clique aqui!) que reúne os nomes de vários autores umbandistas, peço e sugiro que pesquise afundo, pois daqui pra frente, tenho certeza que esse campo irá florescer e nascer livros cada vez mais memoráveis e intensos.

       Você sabe como descobrir se tem a psicografia como faculdade mediúnica? Algum guia já revelou isso e não sabe por onde começar? Não se preocupe! No próximo texto vou abordar os principais sintomas de quem tem a psicografia, como iniciar o desenvolvimento e os elementos necessários para começar.

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