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ENTREVISTA SOBRE UMBANDA NO BALCAST

Tempo de leitura: 13min

Na publicação de hoje, você irá acompanhar uma entrevista totalmente diferente e muito especial com um cara que conheci em meu curso de hipnose há mais ou menos 4 meses: estou falando do PH Alves.

Quando o PH fez o curso de hipnose comigo, contou-me um pouco sobre seu trabalho, sobre seu dia-a-dia, e achei tudo aquilo muito interessante porque, normalmente, quem faz um curso de hipnose está ligado à área de Psicologia, Psicanálise, áreas relacionadas à mente. Ou, então, a pessoa quer fazer hipnose por conta do entretenimento, para praticar hipnose de rua, de palco etc. Mas com o PH foi diferente: ele contou que trabalha em um Centro de Umbanda e é um sacerdote!

Quando ele falou “sacerdote umbanda”, deu um bug na minha mente. Normalmente, quando as pessoas misturam a hipnose com religião, nós da hipnose tentamos “desmisturar”. De repente, chegou-me um doido, cheio de tatuagens, com cara de moleque de 20 anos, para aprender e conciliar as duas coisas de uma forma incrível.

Acompanhe o que rolou nessa entrevista:

RB: O que é ser sacerdote de um templo? Explique o que você faz e como é o seu dia-a-dia para entendermos melhor.

PH: Ser sacerdote de um templo é ser responsável por uma comunidade religiosa, é ser um líder e estar à frente de um grupo, onde suas palavras fazem diferença, suas palavras afetam, podem ajudar ou acabar com a vida de alguém. Mas, como a gente fala, é uma missão também. Quando falamos da espiritualidade em si, carregamos não só as crenças, mas uma responsabilidade com o próximo, com o irmão, como costumamos chamar as pessoas. Todos somos irmãos e, se enxergarmos as coisas dessa maneira, considerando todos juntos em uma grande comunidade, independente de ser ligado a uma religião ou não, entenderemos que somos irmãos sim.

No dia-a-dia, temos que ter o conhecimento sobre nós mesmo, um autoconhecimento, e também sobre o próximo, sobre quem está ali com você, quem vai trabalhar com você. E quando digo trabalhar, não é só no contexto de hierarquias, um trabalho comum, mas de se colocar à disposição de um próximo, que está passando por um problema que geralmente não é só de origem espiritual, mas de origem física também. Por exemplo, uma pessoa que perdeu o emprego precisa de um amparo na fé; ela precisa acreditar que vai conseguir um emprego melhor e que vai mudar o seu padrão de vida. O objetivo do contexto religioso não é trazer fanatismo para as pessoas e sim mostrar para elas que, às vezes, o “não estar conseguindo arrumar um emprego” é algo que está dentro de si e que não está transparecendo, que ela não enxergou ainda ou que está fazendo de errado no próprio comportamento.

RB: É fácil também colocar a responsabilidade em um ser superior, não?

PH: Ou em um ser inferior, como todos falam… que é culpa do capeta. [risos]

RB: Bom, neste bate-papo (o meu BalCast), eu normalmente trago visões empreendedoras. Hoje, vamos ver até onde conseguimos fazer essa mescla: do empreendedor em um centro de umbanda. Começaremos do começo: as pessoas vêm te procurar para quê exatamente? Elas aparecem com um problema, o que elas têm na cabeça?

PH: Podemos segmentar em dois setores: o dos consulentes, que vêm em busca de uma ajuda ou auxílio, e dos médiuns, que trabalham dentro do contexto religioso e aparecem no Centro para oferecer ajuda a essas pessoas que buscam o auxílio.

RB: Certo, mas eu quero entender um pouco antes disso… Como sou leigo na Umbanda, quero poder compreender um mínimo para dar seguimento. Eu não vou te perguntar o que é umbanda, mas sim o que não é umbanda, o que vemos por aí e que as pessoas misturam, mas que você poderia dizer que não tem a ver com a crença. Porque, na verdade, virou uma bagunça, não?

Aliás, em seu canal, o Adeptus da Umbanda (que tem uma proposta super jovem e atual) você fala o que é e o que não é Umbanda. E sempre falando de espiritualidade de uma maneira descontraída. Então, fale-me um pouco mais sobre isso, pois tenho certeza de que, assim como eu, as pessoas irão se surpreender muito. Para quem não me conhece, fui criado na Igreja Católica, contudo tenho uma leve queda pelo espiritismo. Ainda assim, prefiro dizer que não tenho uma religião, mas sou sim uma pessoa muito espiritualizada. Acredito que existe um ser superior, que existe algo além de tudo isso. Quando cheguei hoje de manhã para a entrevista, você começou a me explicar sobre algumas coisas: os símbolos da umbanda, para que serve a música, que alguns são muito parecidos com o catolicismo, como a Iemanjá… achei demais!

PH: Bom, o que não é Umbanda… Primeira coisa: sabe aqueles cartazes colados em postes em que você lê “Faço amarração, trago a pessoa amada em 7 dias, pagamento só depois da entrega…”? Isso não é umbanda! Infelizmente, existem muitas pessoas desinformadas utilizando o nome da religião para fazer o mal. Acho que, antes de tudo, temos que definir religião. Religião vem de religare, que significa religar a Deus, a algo superior, algo que faz bem. Logo, religião é algo que só faz única e exclusivamente o bem. Se não faz o bem, não é religião. Se alguém fala que é umbanda e não pratica o bem, não é umbanda. Está usando de maneira errada e incorreta o nome da religião.

RB: Eu já vi pessoas ameaçando as outras de fazer uma macumba lá no Centro de Umbanda para acontecer tal coisa.

PH: Essa é uma visão completamente equivocada e entra em uma questão que é o que chamamos de ser humano, este ser complexo, que usa artifícios e meios para se defender ou atacar alguém. Normalmente, você utiliza algo para fazer isso e, quando se está ligado a uma religião, você coloca medo nas pessoas com isso, pegando justamente em um arquétipo que já é distorcido: usa a macumba para falar vou “fazer mal a você”. Tem até uma música do Zeca Pagodinho que diz “eu vou botar seu nome na macumba”. Como assim, né? [risos]

Mas isso é porque a pessoa já sabe que está sendo atacada e fica com medo. Mas Umbanda, Candomblé, não é isso. E só estou colocando o Candomblé aqui enquanto religião, porque eu sou mesmo umbandista. Fazer mal a alguém não é religião nenhuma, não é assim que se faz. Existem os trabalhos que são realizados, mas para o bem e, quando digo trabalho, assim como um religioso que vai a uma igreja católica acender uma vela para um santo e pedindo que Deus ou Jesus traga-lhe fé e esperança, pede para Nossa Senhora trazer mais amor pra vida dela, isso é um “trabalho”. Você está oferecendo uma vela para aquele santo em troca de algo. Assim acontece na Umbanda e em outras religiões.

RB: Então, aquele negócio que a gente vê na encruzilhada e que já está lá há duas semanas, com um monte de balas, uma garrafa de pinga… Aquilo pode ter sido usado para alguém fazer uma oferenda para o bem e pode sim fazer parte da Umbanda?

PH: Na Umbanda existem pontos de força, que são como a ligação do sagrado com aquele lugar. Então, por exemplo, dentro da religião católica, temos a igreja que é um ponto de força, dentro da qual encontramos os santos. Na Umbanda, entendemos que o templo não é apenas uma estrutura física, mas sim o planeta Terra. A Umbanda é uma religião da natureza: quando vamos para uma cachoeira, temos um ponto de força ali que te liga automaticamente a um santo, um orixá (no caso da umbanda é um orixá e no sincretismo católico um santo), como Oxum, ou Nossa Senhora da Conceição (outras pessoas dão sincretismos diferentes para ela). Quando você vai para uma encruzilhada, encontra também um ponto de força para uma entidade ali e, normalmente, é uma que dá muito medo nas pessoas porque é mal interpretada: é o Exu ou a Pomba Gira.

RB: Exu eu sempre aprendi que é algo do mal…

PH: Chegaremos aí. Vou só terminar o papo da oferenda… Este cruzamento é um ponto de força para essa entidade. Então, você faz uma oferenda ali, no caso, você oferece uma força para ela, uma cachaça, por exemplo, que é um elemento que ele usa, para que traga uma proteção a você. Outra questão é que, primeiro, ele está pedindo o bem, veja: “que traga proteção a você”. Segundo, você precisa ter uma responsabilidade para com a natureza e com o ambiente em que você está. Se você oferendar alguma coisa, retire depois! Isso é questão de consciência ecológica. Você não pode largar um monte de sujeira e ir embora. É preciso ter noção de sustentabilidade.

RB: Nem faz sentido, você está pedindo o bem e fazendo o mal para a natureza…

PH: Ainda mais para uma religião que cultua a natureza! Fazendo isso você não está cultuando, mas denegrindo a imagem da tua natureza e a sua também. Então essas oferendas são feitas em pontos de força e permitem essa conexão. Você deixa lá, faz a oferenda, sua reza, dá uma hora e depois retira tudo, joga fora. Porque nenhum santo vai vir comer as coisas, como dizem por aí. O negócio não vai sumir, vai continuar lá! O máximo que pode acontecer é se for uma fruta, que você pode deixar lá porque ela se decompõe ou porque vem um animal e a come. Mas plásticos, vidro, coisas que machucam ou que são difíceis de se desintegrarem…

Bom, vamos falar agora daquela outra questão que é o Exu. Isso é um demônio? Não! Essa concepção é errada, mas tem um contexto histórico muito interessante… Vamos para a África, há muitos anos, quando os cultos eram realmente muito diversificados. Existiam muitos orixás ali (essas divindades) e, antes de a Igreja Católica chegar lá, antes de o culto cristão entrar no território, de as pessoas serem pegas para escravidão, etc., existiam outros cultos que eram feitos dentro das tribos. Cada tribo cultuava um orixá específico, por mais estranho que isso possa ser. Não eram todos os orixás que se cultuavam em cada tribo, como sendo uma coisa conjunta, que nem é hoje na Umbanda. Antigamente, existiam tribos que cultuavam apenas um orixá. Bom, qual era a visão católica das pessoas que estavam nuas naquela época? A do pecado. Por isso, resolveram catequizar os índios e colocar-lhes roupas. Só que algumas tribos da África cultuavam um orixá chamado Exu (Eshu), que era o senhor da vitalidade, do poder masculino, da força, algo viril. Então, ele era representado nu, assim como ficavam as pessoas de sua tribo. Só que ele era um negro nu segurando vários falos na mão (que são as figas que nós temos na Igreja Católica e que significa também o falo) e usava um tridente! O Catolicismo chega lá e vê isso… É o capeta! Pronto, acabou… Pegaram este arquétipo e falaram que Exu é um capeta simplesmente porque encontraram essa imagem lá. Fora o preconceito que já existe com as coisas que vêm da África, né? Infelizmente, existe muito preconceito relacionado ao negro, às coisas da África, etc.

RB: Então, o mesmo símbolo para a Igreja Católica virou uma coisa, para a Umbanda virou outra completamente diferente…

PH: O que acontece na Umbanda é que a gente mantém a mesma visão de como era na origem. Exu tem o tridente porque mostra a tripolaridade positiva, neutra e negativa. O que seria Deus então? Tudo: é positivo, neutro e negativo. O que é o falo? É a virilidade. Existe pecado em ser viril, em ter vitalidade? Se não tiver vitalidade, você nem anda, não faz nada na vida. Então, quando você cultua Exu, está pedindo proteção, pois sem vitalidade você não tem proteção, entende? Só que chegam os maus intencionados e dizem que Exu faz o mal, porque Exu é o capeta. Mas essa é uma visão que trouxeram e que foi alimentada durante muitos anos e que distorceu a cabeça de muitas pessoas.

RB: E pra vocês, tem capeta ou não?

PH: Voltando lá na África, eles nunca acreditaram em capeta porque isso é criação da Igreja Católica. Lúcifer, Belzebu, Coisa Ruim, Gramunhão, Sete Peles, “sete mochilas”, tem vários nomes, mas é tudo uma concepção cristã. Em outras religiões não existia capeta. Era uma coisa só. Não tem algo que é negativo e que represente um ser que é contra Deus. Se Deus é único, não tem algo que é contra Deus… Vai falar que capeta é contra Deus? Então, significa que ele tem tanto poder quanto Deus se levarmos pela concepção religiosa.

Bom, a conversa com o PH Alves não parou por aí, mas você pode acompanhar na íntegra todo o nosso bate-papo acessando o áudio desta edição do BalCast ou assistindo ao vídeo que deixei pra você lá comecinho da página.

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